Irmanamento e tradição franciscana

Francisco, em ação de graças, vê todas as criaturas como suas irmãs e seus irmãos. Essa atitude de irmanamento foi conservada na tradição franciscana? E como se exprime, então, a relação entre os seres humanos e as outras criaturas na tradição franciscana?

Francisco chamava sempre todas as criaturas de irmãs ou irmãos, assim como escreveu no Cântico do Irmão Sol. Todos os textos biográficos, tais como Tomás de Celano ou a Legenda dos Três Companheiros e muitos outros testemunham a relação afetuosa de Francisco com todas as criaturas. Mas é preciso dizer que esse relacionamento tão íntimo é exclusivamente dele. Depois de Francisco, raramente outras criaturas são chamadas de irmãos ou irmãs dentro da tradição franciscana. Em seus sermões, Santo Antônio de Pádua, por exemplo, menciona apenas generalizadamente a “irmã natureza”. Mas de qualquer modo, encontramos sempre um respeito muito especial pelo mundo natural dentro da tradição franciscana.

Primeiro de tudo, temos de reconhecer que Francisco se encontrava com as outras criaturas de maneira espontânea e intuitiva, sentimental e impulsivamente, enquanto que na tradição franciscana pode-se encontrar também um início de reflexão intelectual e acadêmica sobre a natureza e a criação.

A relação das pessoas com a criação é determinada através da reflexão filosófica e teológica. Assim, o encontro com as outras criaturas também é elevado a um nível mais teórico.

No caso de Francisco, os encontros ocorriam muito naturalmente no dia-a-dia.

Nessa passagem da rotina diária à reflexão teórica e à pesquisa, o relacionamento com as outras criaturas é configurado de um modo diferente.

Francesco

Encontramos dois exemplos de reflexão sobre a criação na tradição franciscana de Alexandre de Hales e do seu famoso aluno, São Boaventura. Alexandre de Hales era um bem conhecido Mestre-regente da cátedra de teologia da Universidade de Paris e um dos primeiros professores dos franciscanos. Entrou para a Ordem dos Frades Menores com mais de 60 anos de idade. Hales via a origem da criação na auto-revelação de Deus, que deseja se revelar e o faz por meio das criaturas, pois todas elas transmitem alguma coisa do Criador através da da sua existência e dos seus vários modos de ser. As criaturas revelam de maneira especial, por meio da sua existência, que Deus é bom. 

Questa bontà di Dio, di cui parla il creato, è la vera origine di ogni essere vivente. Così il punto di partenza della teologia della creazione di Alessandro è la bontà che Dio comunica attraverso le sue creature. Così Alessandro considera Dio come un essere in comunicazione e comunicante. Dio si esprime attraverso le creature e per mezzo di loro crea una comunità dentro di sé. In questa comunità che Dio rivela attraverso le creature Alessandro riconosce il grande amore di Dio.

Essa bondade de Deus que se expressa nas suas criaturas é a verdadeira origem de todo ser vivo.

Assim, o ponto de partida de Alexandre de Hales na sua teologia da criação é a bondade pela qual o Senhor se comunica através das suas criaturas.

Por isso mesmo, Hales considera Deus como ser comunicativo e comunicante. O Senhor exprime sua própria divindade na criação, formando através dela, comunidade consigo mesmo. É nessa comunidade em que Ele dispõe as suas criaturas que Hales reconhece o grande amor divino.

Natura

A humanidade é – de maneira muito especial – a espécie capaz de reconhecer a mensagem de Deus nas outras criaturas e, desse modo, pode participar da comunhão com o Senhor através da criação. Baseando-se na posição privilegiada ocupada pelo ser humano no todo da criação, Alexandre de Hales reconhece uma especial responsabilidade humana e, na sua teologia, desenvolve de modo simples a primeira ética da criação.

Como todas as criaturas nos falam do amor de Deus, cada uma delas tem seu especial valor. Precisamos portanto nos aproximar delas com respeito. Demonstramos esse respeito nutrindotodas as criaturas que nos foram confiadas e zelando por elas. Dessa maneira cumprimos o mandamento que recebemos de cuidar da criação. Nesse cuidado por todas as criaturas demonstramos de modo único que fomos criados à imagem e semelhança de Deus. É verdade que a humanidade se coloca acima de todas as criaturas, mas essa é precisamente a razão da nossa particular responsabilidade em manter viva a inteira criação.

P. Johannes B. Freyer, OFM


Pergunta para reflexão:

Como é que você experimenta o grande amor de Deus comunicado mediante as suas criaturas e a inteira criação?

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