Você está aqui:

 


-- João 20, 1-2; 11-17a --

srj ii part 01Se você ler os Evangelhos comparativamente, verá que cada um conta uma história diferente da ressurreição de Jesus. Os Evangelhos não são a biografia de Jesus, são descrições da experiência que cada discípulo teve com Ele.  Cada evangelista, a partir da sua experiência pessoal e do público para quem está escrevendo, conta a história do seu relacionamento com Jesus de uma maneira diferente.

Cada um de nós aborda a história de Jesus Ressuscitado no contexto da sua vida, e da vida da Congregação, mas devido às nossas diferentes experiencências e ao nosso relacionamento pessoal com Jesus, nós também contaríamos essa história de maneiras diferentes.

No Evangelho de João, o tempo da Páscoa é um tempo de ausência e presença, de aprender a aceitar e experimentar Jesus de uma nova maneira.  O que reflete os altos e baixos da nossa vida, porque nem sempre estamos no topo do mundo, desfrutando os dons do amor de Deus.   Muitas vezes é difícil reconhecer Jesus nas terríveis circunstâncias que nos rodeiam, mas Ele está sempre lá.

João 20 começa com as palavras: "No primeiro dia da semana ..."  – O que quer dizer: em um tempo novo, o tempo cristão, há uma nova maneira de se relacionar com Deus

"... quando ainda estava escuro..." – A escuridão simboliza um tempo dominado pelo mal ... Na mente de Maria Madalena, ainda é o tempo da crucificação. Ela se sente "na escuridão", absorvida nos sofrimentos de Jesus e sua morte, os terríveis acontecimentos daquela sexta-feira.

Ela apenas vê que a pedra tumular tinha sido removida, e vai correndo contar a Pedro. Neste ponto, está imersa na sua dor e sequer olha ao redor.  Não há ainda nenhuma revelação.  

Ela vai ter com Simão Pedro e com o outro discípulo, a quem Jesus amava.  Ela não está sozinha na sua dor.

"Retiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o colocaram." Este é, realmente, o tema do capítulo 20.  Nós também não sabemos onde Jesus está.  "Onde está o Senhor?" é a pergunta que a comunidade cristã primitiva muitas vezes lutou para responder. E nós continuamos lutando com ela até hoje.

Perguntas para Reflexão

– Qual é o mistério de nova vida que você experimentou ultimamente?  A quem foi que você “saiu correndo para contar"?

– "Onde está o Senhor?" - Aonde está me/nos levando o Espírito de Deus durante este tempo de graça para a Congregação?

srj ii part 02Em João 20:11, Maria Madalena está de volta ao túmulo. Está "buscando" Jesus. O grego usa a mesma palavra mencionada em Cantares 3, 1-2: “...busquei o amado de minha alma, busquei-o e não o achei.” O encontro acontece em um jardim. No Antigo Testamento, o jardim é um símbolo de núpcias: o jardim da criação, onde o humano se compromete com o Divino e juntos caminham no frio da noite; o jardim do Cântico dos Cânticos, onde a amada busca o amado da sua alma; o jardim de Getsêmane onde Jesus foi orar com seus discípulos na noite anterior à sua morte/glorificação ...  Maria Madalena é um símbolo da "nova Jerusalém", redimida pela morte de Jesus.  A cena do jardim evoca os dois temas principais, o da criação e o da aliança.

Maria Madalena está chorando. Ela O amava. Os últimos traços Jesus estão ali.  Ela está imersa na depressão e numa tristeza espiritual.  Os anjos, no túmulo, perguntam: "Mulher, por que choras?" Ela responde: "Levaram o meu Senhor, e não sei onde o colocaram.”   “Voltando-se”, Maria retorna à sua experiência de Jesus antes da ressurreição.  Ela vê Jesus, mas não O reconhece.  Jesus repete a pergunta dos anjos: "Mulher, por que choras? A quem procuras?" Esta pergunta nos remete ao início do Evangelho de João. A primeira pergunta de Jesus aos que seriam seus discípulos havia sido: "O que estais procurando?" (João 1, 38).

“Voltando-se” pela terceira vez, Maria depara com Jesus, que ela imagina ser o Jardineiro.  Foi preciso para ela “dar uma volta interior”, para realmente ver quem estava diante dos seus olhos.

"Maria!" – chama-a Jesus, e pelo seu modo de chamá-la pelo nome, ela O reconhece. "Não me retenhas..."  Às vezes traduzido “Não se apegue a mim", no original grego, constam simplesmente duas palavras: "Não eu".  Como quem diz “não tente ter o mesmo tipo de relacionamento de antes”...
E Jesus conclui:  “Vai, porém a meus irmãos ..."  A presença ressuscitada de Jesus não é somente para ela, mas para toda a comunidade.

Perguntas para Reflexão

– Qual é a sua história pessoal de "criação e aliança", ou seja, aquele ponto em sua vida quando você se entregou a Deus?

– Qual é a história de “criação e aliança” junto a Madre Francisca que dá mais força a você?

– Qual é a “volta” que nós precisamos dar, como Congregação, para conseguirmos "ver" Jesus de uma nova maneira e proclamar aos outros a sua Presença Ressuscitada?


Irmã JoAnn Jackowski, SFP

Publicado em: 16/05/2107

ler a primeira parte da Reflexão: O Desenvolvimento Transformacional